2014-07-13

D. Isabel Coutinho (c. 1575) - Descendência dos Trigueiros

Descendência de Luís de Atouguia (c. 1575) casado com D. Isabel Coutinho (c. 1575), 
bisneta materna de António Trigueiros (c. 1500) e de D. Joana de Góis (c. 1510).
Sousa Coutinho de Atouguia
Delacueva e Mendonça
Morgados de Atouguia
Comendadores de Pinheiro Grande, Cartaxo
Morgados do Ferro
(Torres Novas, 1700)

4.      D. ISABEL COUTINHO (c. 1575)[1], era filha de D. Maria de Teive (c. 1550) e de Fernão Martins de Sousa (c.1550), 8.º Senhor de Baião; neta materna de António de Teive e de D. Melícia de Góis[2]; bisneta materna de António Trigueiros (c. 1500), e de sua mulher D. Joana de Góis (c. 1510).
Casou com LUÍS DE ATOUGUIA (c. 1575), de Torres Novas, moço-fidalgo da Casa Real, filho de Francisco Álvares de Atouguia, senhor do morgado de Atouguia, e de sua primeira mulher D. Leonor de Barros; neto paterno de Luís de Atouguia, senhor do morgado de Beja, e de sua mulher D. Guiomar de Bettencourt.
Tiveram:
5.       FERNÃO ALVARES DE SOUSA, que segue abaixo.
5.       D. CRISTÓVÃO DE ATOUGUIA, cavaleiro de Malta.
5.     D. MARIA DE SOUSA COUTINHO, casada com António Leite Pacheco da Gama, filho de Diogo Leite Pacheco. Tiveram geração.
5.     D. APOLÓNIA DE SOUSA COUTINHO (n. 1605?). Casou em data que desconhecemos com o castelhano D. FERNANDO DE LACUEVA (1604-1655?)[3], 1.º comendador do Pinheiro Grande na Ordem de Cristo, no concelho da Chamusca,  baptizado a 12-IV-1604 em Jaén, na província da Andaluzia, em Espanha. Era filho de Martim Perez Mogollon que casou a 9-V-1594 em San Juan de Jaén com D. Catalina Cobo de La Cueva; a qual, por sua vez, era filha de Juan Cobo de La Cueva que era familiar do Santo Ofício e um dos Vinte-e-Quatro da Cidade de Jaen.
Seu marido era oficial ao serviço de Filipe IV de Espanha durante a denominação filipina, ocupava o cargo de governador militar da Torre de São Julião da Barra, em Oeiras, aquando da Restauração (1640), pelo que teve que proceder à sua entrega ao rei D. João IV (a 12-XII-1640), depois de negociações, para evitar baixas de ambos os lados[4], pois, «já era velho, com filhos e achaques, queria descansar, enfim», e tinha amor à terra da sua mulher, apesar deste acto ser uma traição a Espanha, sua terra natal[5].
Como recompensa teve a 15-IV-1641 a comenda do Pinheiro Grande na Ordem de Cristo, concelho da Chamusca[6] – que rendia mil e quinhentos cruzados –, assim como a 20-VII-1642 obteve administração da comenda de Santa Maria de Assumar na mesma Ordem, no concelho de Monforte, obtida por um ano, cuja posse lhe foi sucessivamente prorrogada[7].

Pedra de Armas dos La Cueva (Espanha)
Brasão dos La Cueva (Espanha)
«D. João IV deu-lhe brasão d'armas: em campo d'ouro dois bastões sanguíneos com uma lapa no contra chefe da sua cor de que surge uma serpe de verde, orla vermelha, carregada de oito aspas d'ouro; timbre a serpe do escudo, nascente, armada de vermelho. Assim se pinta no Livro do rei d'armas. O alvará de mercê diz que la Cueva é de primeira fidalguia de Gastella»[8].

Tiveram geração, da qual conhecemos:
6.      D. JOÃO DE LACUEVA E MENDONÇA (c. 1635), 2.º comendador do Pinheiro Grande. Casou em 1670 com D. LUÍSA MARIA DE BRITO PEREIRA (n. 1648), baptizada a 9-XII-1648 na freguesia de São Cristóvão e São Lourenço, em Lisboa, e falecida em Portalegre, filha de Salvador de Brito Pereira (c. 1610-1651), falecido a 20-VI-1651 no Rio de Janeiro, comendador de Monforte, alcaide-mor de Alter do Chão e governador do Rio de Janeiro (1649-1651) por carta patente de 30-X-1648[9], o qual casou a 24-XI-1637 na Sé de Portalegre com D. Beatriz Pereira (c. 1615).
São João de Brito.
Lisboa, Igreja de S. João de Brito.
Sua mulher D. Luísa Maria de Brito Pereira (n. 1648) foi herdeira de toda a grande casa de seus pais por falecimento de seu irmão Fernão Pereira de Brito (1640-1702). Esta era irmã do jesuíta Heitor de Brito Pereira (1647-1693) – o missionário SÂO JOÃO DE BRITO – que morreu mártir na índia pregando a Fé de Cristo, motivo da sua execução por decapitação e posterior desmembramento, pelo que veio a ser canonizado a 22-VII-1947 pelo Papa Pio XII.
Tiveram:
7.    D. FERNANDO DE LACUEVA E MENDONÇA (1671-1721), baptizado a 21-II-1671 e falecido a 22-X-1721, foi 3.º comendador do Pinheiro Grande, alcaide-mor de Alter do Chão, e coronel de Infantaria na Província da Beira
Casou a 6-VI-1700 na Sé de Portalegre com D. CATARINA JOSEFA BOTELHO DE LACERDA MEXIA, filha de Manuel Mendes Mexia (c. 1630) que foi escrivão da Casa da Índia (29-I-1671)[10] e de sua mulher D. Catarina de Matos Lobo.
          Presumimos que está sepultado, a par de sua mulher, sobe uma laje tumular na Igreja de Santa Maria do Pinheiro Grande[11].
Tiveram:
8.       D. MARGARIDA MENDONÇA (c. 1695).
8.       D. JOÃO DE LACUEVA E MENDONÇA (c. 1736), que foi o 4.º e último comenda-
-dor do Pinheiro Grande[12]. Era capitão de Infantaria e «teve de expatriar-se por haver assassinado o Marquês das Minas, D. João de Sousa[13], quando este saía da Congregação O Oratório [de São Filipe de Néri] em 17 de Setembro de 1722»[14], acto que originou o confisco de todos os seus bens e a sua fuga para Castela com a passagem posterior à Índia onde terá falecido. Do seu palácio, outrora situado a poente desta freguesia, já não há vestígios devido à sua destruição pela passagem da estrada nacional n.º 118.
                                                   Casou duas vezes. A 1.ª com D. MARIA DE SOUSA, e a 2.ª vez, após a sua fuga
                                                   para Castela, com D. MARIA FELICIANA DE ALBUQUERQUE.
                               7.       D. Maria de Brito e Mendonça, casada na freguesia de Turcifal, concelho de Tor-
                                         -res Vedras, com JOÃO REBELO DE VASCONCELOS, natural do Turcifal, familiar do
                                         Santo Ofício (carta de 3-II-1685). Tiveram geração de mais de 15 filhos e filhas, alguns
                                         dos quais seguiram a vida religiosa.
                               7.       Brites Pereira de Brito.
                               7.       Frei Salvador de Brito Pereira.
                               7.       Frei Cristóvão de Brito Pereira (n. 1676), nascido a 14-XII-1676 em Pinheiro
                                         Grande, Chamusca.
                               7.       Francisco (n. 1679), nascido a 5-II-1679 em Pinheiro Grande.
Olivença, Igr. de Sta. Maria Madalena
                               7.      João de LACUEVA e Mendonça (1702-1739), ho-
                                        mónimo de seu pai, nascido a 12-III-1702 em Santa-
                                        rém, e falecido a 29-VIII-1739 na freguesia da Mada-
                                        lena, em Olivença.
                                        Foi capitão de Granadeiros no Regimento de Infan-
                                        taria de Olivença, e obteve a 16-II-1735 o foro de
                                        Cavaleiro Fidalgo por mercê do Rei D. João V (1707-
                                        -1750)[15]
                                        Casou a 16-I-1742 em Olivença com D. TERESA
                                        RITA DE MATOS MEXIA, nascida na freguesia de
                                        Santa Maria da Feira, na cidade de Beja.
                                        Sua mulher era filha de Bento de Matos Mexia (1682-1763), baptizado a ?-X-1682 em
                                        São João da Praça em Lisboa, e falecido no ano de 1763, coronel, fidalgo da Casa
                                        Real, cavaleiro da Ordem de Cristo e governador de Olivença, o qual foi casado com
                                        D. Maria Micaela de Sousa (n. 1682), baptizada a ?-XI-1682 na freguesia dos Mártires
                                        em Lisboa[16].
Olivença, Porta do Calvário.
                                        Tiveram:
                                        8.       Luís Francisco de LACUEVA (n. 1732),
                                                  nascido a 12-XI-1732 em Vila Viçosa, Évora.
                                        8.       Fernando Bento de LACUEVA e MENDON-
                                                  ça (f. 1752), nascido em Olivença, Badajoz, e
                                                  falecido 27-XI-1752.  
          5.       FERNÃO ALVARES DE SOUSA (n. 160?), senhor do morgado de
                    Atouguia.
                    Casou por volta de 1625 com D. CATARINA DE MANCELOS.
                    Tiveram:
                    6.       D. LEONARDA DE ATOUGUIA, que segue.

6.       D. LEONARDA DE ATOUGUIA (n. 1640) que terá nascido por volta de 1640. Casou por volta de 1665 com FRANCISCO DIAS DE LEÃO «o Ferro», homem de negócios, senhor do morgado do Ferro, instituído por seu avô Francisco Dias de Leão a 1-IX-1657. Seu marido era filho de António Dias de Leão, e de D. Maria Dias da Silveira.
Tiveram:
7.       ANTÓNIO LUÍS DE ATOUGUIA (n. 1675?), que segue.

7.      ANTÓNIO LUÍS DE ATOUGUIA (n. 1675?), nascido por volta de 1675, senhor do morgado de Atouguia, moço-fidalgo, que viveu em Torres Novas.
          Casou duas vezes.
As primeiras núpcias foram com D. ISABEL DA SILVA, filha de António da Silva Mascarenhas, senhor de um morgado, e de sua mulher D. Ana de Vasconcelos.
As segundas núpcias foram com D. MARIA CLARA BUCHARD, filha de Nicolau Buchard de Carvalho, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Francisca Clara.
Filha do 1.º casamento:
8.    D. LEONARDA ISABEL DE VASCONCELOS. Casou com seu parente D. FERNANDO MARTINS MASCARENHAS. Sem geração.
Filho do 2.º casamento:
8.       FRANCISCO LUÍS DE SOUSA ATOUGUIA (n. 1710?), que segue.

8.       FRANCISCO LUÍS DE SOUSA ATOUGUIA (n. 1710?), nascido por volta de 1710, moço-fidalgo
Casou nas segundas núpcias de D. TERESA TEODORA PEREIRA DE SÃO PAIO, filha de Luís da Rocha Guerreiro, natural de Montemor, escrivão dos Órfãos, e de sua mulher D. Josefa Francisca de Silva e Melo, natural de Évora; neta paterna de Luís da Rocha Montenegro e de D. Natália Pereira de São Paio; neta materna de Pedro Soares da Silva e Melo. escrivão de Órfãos, e de D. Antónia Francisca.

           Sua mulher, D. Teresa de São Paio, foi casada em primeiras núpcias com Francisco Xavier Temudo de Mendonça (n. 1699), nascido em 1699 na freguesia do Socorro, Lisboa, filho de Manuel Coutinho de Azevedo e de D. Francisca da Silva Manso. Teve deste seu primeiro casamento Diogo Carlos de Mendonça (n.1726), nascido a 22-VIII-1726 na freguesia da Pena, Lisboa, Porteiro da Câmara dos Meninos de Palhavâ e familiar do Santo Ofício, falecido a 22-II-1775 na Quinta da Rocheira, freguesia de São Mamede da Ventosa, concelho de Torres Vedras, já viúvo de sua prima co-irmã D. Ana Joaquina de Mendonça. 

Tiveram:
9.       FERNANDO DE SOUSA COUTINHO DE ATOUGUIA (n. 1750?), que segue.
9.       FRANCISCO DE SOUSA COUTINHO.
9.       ANTÓNIO DE SOUSA COUTINHO, cavaleiro da Ordem de Cristo.

9.      FERNANDO DE SOUSA COUTINHO DE ATOUGUIA (n. 1750), nascido por volta de 1750, moço-fidalgo, senhor do morgado de Atouguia, e do morgado do Ferro que foi instituído por seu 4.º avô Francisco Dias de Leão, e ainda padroeiro da Igreja de São Onofre da Golegã[17].
          Casou com D. FELÍCIA LAUREANA DE MELO BALDAIA, filha de João do Rego Baldaia (n. 1701)[18] e de Antónia Francisca da Apresentação; neta paterna de Manuel Álvares Martins de Aguiar (n. 1714), vereador na Ilha de São Miguel, e de sua segunda mulher D. Águeda do Rego Baldaia, naturais da freguesia de Relva, Ilha de São Miguel, Açores; e neta materna de João Velho Cabral e Melo, fidalgo da Casa Real, e de D. Apolónia Josefa Borges de Medeiros.
Tiveram:
10.     LUÍS DE ATOUGUIA DE SOUSA COUTINHO, moço-fidalgo, procurador por Torres Novas às Cortes de 1828.
10.     RODRIGO AFONSO DE ATOUGUIA DE SOUSA COUTINHO, tenente de Cavalaria n.º 7.
10.  JOÃO NEPOMUCENO DE ATOUGUIA SOUSA COUTINHO, major do Estado Maior de Cavalaria, casado com MARIA JOANA BALDAIA (c. 1815).
10.     FELIPE, major.
10.     D. MARIA DO CARMO.
10.     D. MARIANA CRISÓSTOMA.
10.     D. MARIA DOS PRAZERES.

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Notas:

[1]       GAIO, Felgueiras, Nobiliário, Tít. «Sousas», § 548, N 23, Vol. X, p. 667; Tít. «Costas», § 237 , N. 6, Vol. IV, 
            p. 640-642.
[2]      SOUSA, Augusto Quirino de, «Torrienses na Expansão Quinhentista no Oriente», in. Turres Veteras II – Actas de História Moderna, p. 172.
[3]         Em Castela o nome era grafado «de la Cueva».
[4]      A Torre de São Julião de Oeiras, à data destes acontecimentos, tinha para sua defesa 600 homens e armas e munições para resistir muitos meses.
[5]        CASTELO BRANCO, Camilo, História e Sentimentalismo, Porto, Livraria Internacional, 1880, pp. 57-61.
[6]        ANTT, Registo Geral de Mercês, Ordens, L.1, fl.24v.
[7]        ANTT, Registo Geral de Mercês, Ordens Militares, liv.1, f. 76v; liv .2, f. 160;  liv.3, f. 1v .
[8]        CASTELO BRANCO, Camilo, Op. cit, p. 61.
[9]        ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês, liv. 17, f. 70v-71
[10]      ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês (Chancelaria) de D. Afonso VI, liv.12, f.154v
[11]     Cremos ser erro a atribuição feita por alguns autores desta sepultura ao seu filho D. João. Este, após ter morto o Marquês de Minas, fugiu para Castela e passou à Índia onde terá falecido.
[12]      ANTT, Registo Geral de Mercês, D. João V, L.4, fl. 80v.
[13]      D. JOÃO DE SOUSA (1666-1722), 3º marquês das Minas e 6.º conde do Prado, que já tinha sido autor do assassinato de um magistrado durante uma briga – o corregedor Inácio Sanches Goes – e, por este motivo, foi julgado e degolado em estátua no Rossio, devido a andar fugido em Paris, de onde obteve o perdão real de D. Pedro II (1699) com a condição de não mais frequentar a corte.
[14]     D. JOÃO DE LACUEVA E MENDONÇA (c. 1736) não gostava do Marquês de Minas, o assassino do corregedor Inácio Goes, que agora tinha a patente de general. Este, por sua vez, desprezava Lacueva e já o desfeiteara publicamente com depreciativos cumprimentos de «vossemecê», proferidos com uma entonação afrontosa. Numa tarde em Lisboa, em resposta à saudação que lhe fez Lacueva de «Deus guarde vossa excelência», retorquiu com um injurioso: «Guarde Deus a vossemecê», em vez do tratamento de "senhoria" que competia a Lacueva. Houve uma troca de palavras azedas e o general levantou o bastão ameaçando Lacueva, o qual, não tolerando o desaforo, de imediato arrancou da espada e passou-o do peito às costas, como a sua vítima já tinha feito ao corregedor que assassinou 28 anos antes.
[15]      ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 26, f.352.
[16]    D. MARIA MICAELA DE SOUSA (n. 1682), era filha de Miguel des Landes – origem dos DESLANDES portugueses – que devido a perseguições sofridas pelos protestantes de França veio para Portugal em 1669 e aqui se fixou. Converteu-se ao catolicismo e foi impressor da Casa Real.
[17]     Dava-se o nome de Padroado às regalias e benefícios que o fundador ou protector (padroeiro) adquiria em relação a um mosteiro, igreja ou capela, direitos estes que transmitia aos seus herdeiros.
[18]      JOÃO DO REGO BALDAIA (c. 1776), e seus irmãos, fizeram uma petição em 1776 para «receber como únicos herdeiros a herança deixada por seu irmão António do Rego Baldaia, solteiro, natural de Relva e falecido na vila de Nossa Senhora do Livramento do Rio das Contas, Baía». (ANTT, Feitos Findos, Fundo Geral, letra A, mç. 2221).

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